"O melhor da gastronomia embalado para viagem."

... Cozinhar é também fazer poesia. É abrir ouvidos, olhos, boca e nariz para perceber o que faz sentido entre temperos e medidas. É entrar neste estado de coisas latentes e cavar o silêncio....
Juliana Venturelli

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Porcos do Sitio Abaetetuba - Segunda experiencia...

A primeira experiencia com porcos no Sitio foi há uns dois anos.
Soltamos 2 animais em uma área cercada por cerca elétrica. A área estava coberta de braquiária, uma gramínea usada em pastos que é terrível de ser capinada.
Os porcos corriam livres e brincavam o dia inteiro.
Foi uma experiência muito interessante, mas as fezes provocavam mal cheiro e devido a proximidade do chiqueiro da casa, o esquema se mostrou falho.

Flor da berinjela



Berinjela

Após alguns dias os porcos arrancaram a braquiária e reviraram o terreno. Neste terreno plantou-se berinjela, pimenta e apim.
Após prepararem uma parte do terreno os porcos foram mudados para outro piquete, e assim por diante.
Os porcos deixaram a terra pronta para ser usada, revirada e estercada. O único trabalho foi acertar os buracos e espalhar a terra de forma homogênea.
A berinjela colhida no local foi usada na agroindústria, parte foi vendida na feira orgânica e parte foi doada na época da catástrofe, pois a produção foi enorme e surpreendente...
A pimenta está sendo usada na elaboração de geléia de abacaxi com pimenta. O aipim está sendo vendido para o “Cultivar orgânico”, que faz biscoitos e brownies orgânicos sem glúten e sem lactose. Parte do aipim é utilizado na casa e parte é utilizado para fazer farinha para o consumo interno.

Farinha do Sítio Abetetetuba



Pé de pimenta dedo de moça

Atualmente os porcos do Sítio Abaetetuba vivem em um chiqueiro, forrado de serragem. A serragem evita o mau cheiro.
O único problema da serragem é que deixa a pele dos animais um pouco ressecada e quebradiça.
Os porcos tem como natureza ficar em lugares úmidos e sentem falta disso.
Percebendo esta carência começamos a borrifar água no chiqueiro uma vez por dia, no horário mais quente.
Borrifar um pouco de água na serragem e nos porcos também. Eles adoram.
Atualmente estamos criando duas raças de porco. O porco doméstico e o "javaporco", uma mistura de javali com porco doméstico.
O "javaporco", demora mais para engordar, mas tem uma carne mais magra, com uma camada menor de gordura por cima.

Porco doméstico castrado

Javaporco

A alimentação do animais é basicamente coisas da horta, e da roça do nosso vizinho, com o qual fazemos sociedade na criação.
Eles se alimentam de aipim cozido, milho, banana, banana verde cozida, restos de comida, folhas, soro de leite e o que mais aparecer.
É utilizado farelo de trigo em pequenas proporções para misturar a "lavagem" (nome dado a mistura de comidas dada aos porcos).

o esterco do porco composta e vira adubo para as frutíferas

Casa de codorna - codornas felizes


Antes as codornas viviam em uma gaiola apertada e aflitiva.. Eram muito extressadas.
Juntamos uns restos de madeira e utilizamos a base de uma antiga estufa de desidratar banana para fazer a gaiola.

Aqui podemos ver a estrutura utilizada para fazer a gaiola
O recipiente azul serve para recolher o esterco que
será misturado á serragem


O esterco das codornas cai pelo vão entre as madeiras e é misturado a serragem. Não tem o cheiro ruim que todos diziam que teriam.
Os ovos escorregam pelo vão da madeira e caem em um recipiente com serragem.



Ainda falta terminar a casa das codornas... A areia agora fica ao lado gaiola, para não misturar com o composto.
O composto é muito bom e rico em fósforo e nitrogênio. Já usamos a primeira remessa.
Vamos colocar uma lâmpada, para aquece-las no inverno e atrair pequenos insetos, utilizados pelas codornas na sua alimentação.
Também vamos colocar um macho na gaiola, para manter o equilíbrio...




                                         Neste filme podemos ver as codornas despojando na areia

                                         
                                          Aqui vemos o esquema dos ovos escorregarem..

Além da ração damos a elas banana e algumas folhagens, mas o que elas realmente gostam são as pedrinhas que vem na areia e de minhocas também...

Ovinhos colhidos no Sitio Abetetuba




Primeiro carro movido a ar


domingo, 15 de maio de 2011

"Geléia de limão galego" ou Creme brulee - Receita

Caros Amigos, Bom dia.
Quando comecei a fazer geléias, fazia um creme de limão galego com ovo caipira que colocava nos potes e vendia como geléia de limão galego.
Na verdade não é uma geléia e sim uma espécie de creme "bruleé". A geléia ao pé da letra tem como característica ser mais firme e trasparente.
O creme tem uma validade pequena e não é viavel a sua produção em grande escala. O ideal é processa-lo com ovo caipira e no inverno, época em que abundam os limões, os ovos caipira são escasos.
Por esta razão a "Mistura Fina", quando alcançou maiores proporções parou de produzir esta iguaria.

Por respeito aos clientes, amantes da "geléia" estou postando aqui a receita, para que todos tenham acesso e possam degustar desta preciosa iguaria.
Aprendi a fazer esta receita no Sitio Beira Serra (http://www.beiraserra.com.br/). Segue aqui os meus agradecimentos, a família Beira serrra por compartilhar tão preciosa receita, que ajudou a me tornar conhecida na produção de conservas e geléias.
Para quem não conhece o limão galego, também conhecido como limão cravo, limão rosa, limão bravo, entre outros, segue um vídeo:

Caso não encontre o limão galego, utilize o limão siciliano.
O ovo caipira é imprescindível, pois o ovo de granja não tem o mesmo paladar e nem a mesma coloração.


"Geléia de limão-galego" Beira Serra
ou como diriam os franceses creme "brulléé"...

Ingredientes:

4 limões médios (suco) = 155 ml
100 g de manteiga
350 g de açúcar
4 ovos ligeiramente batidos (imprescindivelmente caipira)
20 g de raspas da casca do limão

Modo de fazer:

Espremer os limões e ralar um pouco da casca (que deve estar bem lavada e sem impurezas)
Peneirar os ovos e bater levemente.
Juntar a manteiga em pedaços (de preferência em temperatura ambiente), os ovos, o açúcar e o suco dos limões. Colocar as raspas do limão quando estiver quase pronta.
Levar ao fogo em banho-maria, mexendo até engrossar (mais ou menos 30 minutos).
Não deixar a água ferver para não talhar (a temperatura máxima deve ser 78 graus). Desligar o fogo se necessário, depois ligar novamente. A geléia continuara cozinhando.
Aconcelho a deixar a "geléia" na geladeira e não coloca-la em potes de geléia, pois sua validade é muito curta e existe o risco da salmonela, se nã for processada devidamente.
Faça a quantidade que for usar no prazo de 1 semana.
Se quizer presentear amigos, coloque em potes de vidro esterilizados (como explicado anteriormente no blog), mas avise que é preciso refrigera-los.

RENDIMENTO: 3.5 potes de 150 ml

CARACTERISTICAS:
Consistência: firme, demora a pingar da colher. Forma uma capa espessa na colher de inox (como um mingau)
Cor: amarelo alaranjado
Ponto:
Mergulhar uma colher de inox limpa e seca na mistura. Deve formar uma capa espessa que demora a pingar da colher.
Temperatura quando alcança o ponto: 74 graus (estes detalhes para os chefes de cozinha)
Grau de brix: 64.5 c a 25 graus


Fica uma delícia para ser degustado com pão de ló ou bolo de laranja.

Em breve posto as fotos do processo... A procura pelos ovos caipira...
















Globo Reporter - Orgânicos









A história das coisas - documentário


Filme do Sitio Abaetetuba - Curso de Permacultura realizado em 2008